Quer ser empreendedor? Temos 8 dicas para ti

CONTRATODesde que sai do mundo corporativo, onde gerenciava uma equipe de tecnologia de cerca de 90 pessoas para um banco de investimentos, muita gente me pergunta sobre as diferenças entre a vida corporativa e a vida de dono de startup. Resolvi, dessa forma, separar algumas destas perguntas para responder aqui.

Você trabalha menos agora que tem a sua própria empresa? Mentira. Em alguns momentos eu trabalho até mais. A diferença é que eu faço os meus horários. Hoje em dia eu trabalho bastante de madrugada e em alguns fins de semana, mas em compensação acordo mais tarde todos os dias.

O trabalho é mais legal em uma startup? É verdade, mas vida de empresário tem seus momentos chatos também. Em uma equipe de 10 pessoas, todo mundo tem que fazer de tudo, inclusive eu. Então, não é raro eu fazer trabalhos que não realizava desde a minha época de estagiário. Se eu não fizer, ninguém vai fazer por mim.

Você não precisa dar satisfação a ninguém? Mais ou menos. Com certeza eu não preciso fazer aquele relatório chato de 200 páginas para o chefe passar o olho e jogar fora no minuto seguinte, mas eu preciso dar satisfação do meu trabalho para várias pessoas: os sócios são os mais óbvios, tanto eu quanto o Flavio, meu sócio, diariamente nos falamos e passamos feedbacks sobre os nossos trabalhos. Além disso, tem os investidores que precisam receber alguns relatórios também e os parceiros e clientes que também cobram que o seu trabalho seja satisfatório.

Você ganhava mais dinheiro antes ou agora? O salário no meu antigo emprego era melhor. Mas quando eu comecei a trabalhar no fashion.me, a minha ideia nunca foi de viver com o salário que eu poderia ganhar, mas sim com os dividendos que a empresa pode vir a gerar e com uma possível saída.

Como mudou a sua relação com fornecedores e parceiros? No banco era muito fácil entrar em contato com qualquer fornecedor, bastava eu falar que era do Banco tal, que no mesmo instante aparecia um vendedor louco para fazer negócio. A coisa não é bem assim hoje em dia. É preciso explicar mil vezes quem você é e porque você quer fazer a parceria ou a compra para despertar o interesse da outra parte.

Como mudou a relação com a sua família? Quando eu sai do meu emprego, eu prometi que iria me esforçar para ficar mais tempo com a minha família, mas para ser sincero eu fiz esta promessa sem saber o que vinha pela frente. Eles precisaram estar confortáveis com a ideia, porque o começo é um período bastante duro, você não deixa apenas de ganhar dinheiro, mas está colocando bastante dinheiro no seu novo negócio. Eu tenho certeza que sem o apoio deles eu não teria nem começado.

Você não sente saudades da vida corporativa? De vez em quando. O que eu mais sinto saudades são das pessoas. Trabalhar em uma empresa que tem 400 pessoas e que você tem muitos pares é divertido, cada dia você pode almoçar com uma pessoa diferente e não faltam assuntos e fofocas sobre as outras pessoas do escritório. Uma startup com 10 pessoas torna mais difícil este tipo de convivência, ainda mais quando você é o chefe. Hoje o meu único par no escritório é o meu sócio, então de quem a gente vai falar mal?

Você não tem medo de o negócio não dar certo e você ficar desempregado? Não. Eu acho que mais importante do que ter um emprego é ter empregabilidade. Eu tenho certeza que hoje eu sou bem mais preparado para qualquer posição do que quando eu larguei o meu emprego. Tocar uma empresa ensina muito para você, mesmo que ela falhe. Eu não pretendo voltar ao mercado corporativo, mas se um dia isto acontecer, pode ter certeza que eu estarei preparado.

Fonte: Estadao