*Por Ângelo Cavalcante
A crise que envolve sindicatos é a mesmíssima crise que toma todo o mundo do trabalho e que, por sua vez, está diretamente ligada, colada e vinculada com a ampla crise do capital e que devasta o mundo por mais de cinquenta anos.
A transição do modelo produtivo industrial para o modelo do rentismo bancário-financeiro é a gênese contemporânea dessa trágica lógica mundial.
Em seu paralelo, estados nacionais mergulharam cegos no neoliberalismo e que, sobretudo, desde 1973, arrasa com nações mundo afora.
O caso mais emblemático foi o Chile, país sul-americano e que fora governado pelo genocida General Pinochet e que, pelo menos, desmontou, desfez com todos os serviços públicos do país; privatizou, fez concessões e arruinou com as poucas políticas públicas existentes.
De lá para cá foi um “copy, cola” de fracassos, ruínas, tragédias públicas e muito… Muito desamparo social.
Para o caso brasileiro, essa lastimosa sina já começa em nossa redemocratização com a eleição de Fernando Collor de Mello, um aventureiro de direita e que inicia toda essa corrida, essa marcha de desfeitas da nação.
Em seguida, é eleito Fernando Henrique Cardoso (FHC) e que fora o maior privatizador da história, aliás, o próprio Cardoso anunciou mesmo que iria desmontar todo o legado do trabalhismo do presidente Vargas.
FHC vendeu estatais, quebrou monopólios, abriu o mercado nacional de maneira indiscriminada, repassou ativos e patrimônios públicos e, enfim, em nome de estranho conceito de modernidade, amiudou, reduziu o Brasil.
Essa lógica é encerrada nos governos do PT a partir de 2003. A partir, no entanto, de uma gestão de muitos riscos e completamente emparedada pela direita, o quarto mandato petista no Brasil é encerrado em 2016 com o impeachment injusto e criminoso da presidenta Dilma Roussef.
Em seguida, Michel Temer, vice de Dilma e parte ativa e importante no ardil do golpe, assume o governo da União e, claro, retoma a marcha de destruição do neoliberalismo.
Governo ligeiro e de transição, Temer entrega os rumos da Pátria para a ultra-direita proto-fascista e gerida pelo ex-capitão Jair Bolsonaro e que, sem surpresas, seguiu firme e seguro na desconstrução de investimentos e políticas sociais.
Sua dura e impiedosa lógica de governo, por sinal, nos conduz às beiras de um golpe de Estado e que por bem pouco não nos precipita em mais uma ditadura.
A partir de 2023, com a eleição de Lula para seu terceiro mandato, de novo, o embate civil e social contra o flagelo do neoliberalismo logra êxito e o corte de orçamentos sociais é, enfim, suspenso.
De outra sorte, o neoliberalismo está presente como discurso, sentido e percepção social e política e mesmo como aberta ofensiva anti-povo e anti-moderna.
É nesse quadro de imensos riscos que representações sindicais e sociais devem, primeiro, compreender a gravidade da conjuntura para, em seguida, apostando em uma formação política clara, crítica e assumidamente socialista, para somar forças em prol das respectivas categorias e, óbvio, do povo brasileiro.
É passado o tempo em que sindicatos operavam nos restritos e limitados campos da categoria profissional; é tempo de agregar forças, aglutinar potencialidades para o enfrentamento da extrema direita reconhecidamente neonazista e que visa, é claro, arrasar com pobres, trabalhadores e com a própria pátria brasileira.
Nosso desafio é maior do que se pensa…
Juntos sempre!
Angelo Cavalcante – Economista, cientista político e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.
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