Criação de cavalos: hobby, não; investimento.

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O que leva alguém a investir muito dinheiro em um cavalo, em vez de procurar aplicações mais tradicionais? Uma explicação possível é a mistura entre potencial de retorno financeiro e o prazer pessoal que a atividade proporciona.

O paranaense Aldo Vendramin, 54 anos, é um exemplo disso. Engenheiro eletricista, empresário e agricultor, ele decidiu abrir mão da renda certa para se tornar um criador da raça crioula. Morador de Curitiba, ele tem animais para a lida campeira de suas fazendas há 25 anos, mas faz apenas oito que começou a investir mais forte neste mercado. O ganho financeiro ainda não veio, mas, para Aldo, não se pode entrar no setor pensando em retorno imediato.

– Isso ocorre a médio prazo, talvez depois de uns 10 anos ou mais. Os investimentos dependem do objetivo do criador. Se é para a lida campeira, não há despesas, pois os animais são rústicos, fortes, dóceis, inteligentes e se mantêm no campo. Mas se for para ganhar competições, aí o investimento é alto. É preciso ter bons animais e uma grande logística, que envolve viagens, estrutura adequada e profissionais qualificados – afirma.

Aldo possui mais de 200 animais da raça crioula, dos quais 103 são éguas na cria. Este ano, ele conseguiu classificar quatro animais para a final da Expointer, em Esteio (RS), de 28 de agosto a 5 de setembro, onde ocorrem o Freio de Ouro e o Campeonato de Morfologia (que analisa aspectos físicos e estrutura), principais competições de equinos crioulos do mundo.

– Não existem premiações para os vencedores. O prêmio é o reconhecimento e a valorização dos animais campeões e seus herdeiros. O que interessa é o sangue, a genética dos animais, pois todo criador busca a perfeição. Ele quer um animal bonito e funcional.

Nomes diferentes e valores incalculáveis

Afirmar que um cavalo crioulo pode custar mais de R$ 1 milhão não é exagero. Dos mais de 200 animais pertencentes a Aldo, cinco ou seis têm valor de mercado incalculável, como por exemplo o Pandemônio, duas vezes grande campeão na Expointer, e o Macanudo do Itapororó, terceiro melhor no mesmo evento.

– Já chegaram a formar um consórcio de criadores e me ofereceram R$ 1 milhão por um único animal, ou pelo Pandemônio ou pelo Macanudo, mas não vendi nenhum deles. E não vendo, porque estes animais são perfeitos – revela ele.

O Pandemônio já tem duas potrancas da primeira geração nas disputas da Expointer. Uma delas é a Dama Linda De Los Campos, de dois anos e 10 meses. A égua é um dos oito animais dos 60 competidores, classificados para a semifinal da edição de Lages do Freio de Ouro, realizada neste fim de semana.

E estes nomes – Pandemônio, Macanudo do Itapororó, Dama Linda De Los Campos, entre outros – geralmente vêm do castelhano, já que os criadores da raça crioula estão espalhados pela América do Sul.

Algumas nomenclaturas têm a ver com o nome das fazendas onde os animais são criados, outras são apenas inspiração dos criadores.

Fonte: UOL
Link: http://ruralcentro.uol.com.br/noticias/criacao-de-cavalos-hobby-nao-investimento-24316