Como conseguir um salário milionário?

riquezaPor que acreditamos que irão retornar aqueles empregos onde somos muito bem pagos para fazer um trabalho que pode ser sistematizado? Na verdade existem duas recessões: a primeira é cíclica, aquela que inevitavelmente chega e inevitavelmente vai embora. Foi provado que uma intervenção adequada pode encurtá-la, mas também há indícios de que uma resposta exagerada pode resultar em desperdício ou até agravar a situação. A outra recessão, porém, a que provoca a perda de todos os “bons trabalhos de fábrica” e desemprego sistemático – essa eu temo que tenha vindo para ficar.

A internet espremeu as ineficiências de vários sistemas, e a habilidade de coordenar atividades e digitalizar dados se combinam para eliminar um vasto número de cargos que a era industrial criou. Por que acreditamos que irão retornar aqueles empregos onde somos muito bem pagos para fazer um trabalho que pode ser sistematizado?

O que acontece hoje é uma corrida ao fundo do poço, onde comunidades suspendem regulamentações ambientais e trabalhistas no esforço de se tornarem os fornecedores mais baratos no mundo. O problema em competir nessa corrida ao fundo do poço é que eventualmente você pode ganhar.

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As fábricas foram o centro da era industrial. Prédios onde os trabalhadores se juntavam para construir carros, utensílios, fazer apólices de seguros e transplantes de órgãos – essas são atividades centradas no trabalho, onde ineficiências locais são superadas pelos lucros da produção em massa. Se o trabalho local custa mais ao empresário, ele tem que pagar. Afinal, que escolha ele tem?

Não mais. Se pode ser sistematizado, ele será. Se o intermediário pode encontrar uma fonte mais barata, ele irá. Se o consumidor não-afiliado pode poupar um centavo clicando aqui ou ali, isso irá acontecer. A ineficiência causada pela geografia era o que permitia a trabalhadores locais receberem um salário melhor, e era a ineficiência de uma comunicação imperfeita que permitia às companhias cobrarem preços maiores.

A era industrial, que começou com a revolução industrial, está deixando o palco. Ela não é mais a força motriz da economia e é absurdo pensar que altos salários por um trabalho facilmente substituível vão retornar. Isso representa uma grande descontinuidade, uma decepção forte para pessoas trabalhadoras que procuram estabilidade, mas provavelmente não a conseguirão. É uma recessão, a recessão de cem anos de crescimento do complexo industrial.

Eu não sou um pessimista, pois a nova revolução – a revolução da conectividade – cria modos novos de produtividade e oportunidades. Porém, não para o trabalho repetitivo de fábrica e não para os índices de empregabilidade. A maior parte da riqueza gerada por essa revolução não toma a forma de um trabalho integral.

Quando todo mundo tem um laptop e uma conexão com o mundo, então todos possuem uma fábrica. Ao invés de nos juntarmos fisicamente, nós temos a capacidade de nos aproximarmos virtualmente, angariar atenção, conectando trabalho e recursos, e criando valor.

É desgastante? Claro que sim. Ninguém é treinado para isso, em iniciar, visualizar, resolver problemas interessantes e então entregar. Alguns veem esse novo trabalho como uma colcha de retalhos de pequenos projetos, uma imitação fajuta de um trabalho “de verdade”. Outros conseguem notar que essa é uma plataforma para um tipo de arte, um campo bem mais justo onde a posse de uma empresa não é uma herança para uma pequena minoria, mas algo que centenas de milhões de pessoas podem alcançar.

A situação vai mudar de qualquer forma. De um lado da economia, as expectativas diminuem e muitos hambúrgueres são fritos. O outro lado é uma corrida ao topo, em que indivíduos, até então esperando instruções, começam a dá-las.

O futuro tem cada vez mais traços do marketing – é improvisado, baseado em inovação e inspiração, e envolve conexões entre pessoas – e menos traços do trabalho de fábrica, onde você faz o que fez ontem, mas mais rápido e mais barato. Isso quer dizer que devemos alterar as nossas expectativas, mudar o nosso treinamento e alterar a forma com a qual nós lidamos com o futuro. Ainda assim, é bem melhor do que lutar por um status quo que não mais existe. As boas notícias são claras: cada recessão longa é seguida de uma época de crescimento baseada na próxima inovação, e assim segue…

A criação de trabalhos é um falso ídolo. O futuro é baseado em bicos e recursos e arte e uma série dinâmica de parcerias e projetos. E ele vai mudar as fundações da nossa sociedade. Nós não precisamos gostar dessa mudança, mas quanto mais cedo nós a notarmos e buscarmos nos tornar eixos insubstituíveis nesse sistema, menor será a dor, e nós podemos voltar ao trabalho que precisa (e agora pode) ser feito.

Essa revolução é, ao menos, tão grande quanto a última, e essa última mudou tudo.

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Fonte Adm.com