Jovens empresários, uni-vos!

relatrio-de-vendas-4-335881Por Maione Padeiro

Os protestos de junho do ano passado mostraram que o país precisa de renovação em várias áreas, especialmente na política. É preciso não desprezar a força que vem da rua, pois ali estão canalizados os anseios de toda a população. Infelizmente, vimos uma reação fraca, uma resposta pífia da classe política, especialmente o Congresso Nacional e Presidência da República, que são as entidades que têm a competência e o poder para ditar normas gerais que modificam a realidade de todo o povo brasileiro.

É verdade que tivemos alguns ganhos, especialmente na esfera da mobilidade urbana. Após o susto, o governo federal liberou verbas para obras de transporte e trânsito em grandes centros urbanos, aproveitando até mesmo a urgência na infraestrutura gerada pela realização da Copa do Mundo em 12 capitais. No entanto é pouco, é muito pouco. Todos sabemos que os protestos não foram só pelos 20 centavos, aumento de tarifa de ônibus em São Paulo que desencadeou a onda de protestos país afora.

Quando milhões de brasileiros saíram às ruas em junho de 2013, as diversidade de bandeira dos manifestantes era imensa, o que, de certa forma, contribuiu para a diluição do movimento e ajudou a manter inertes os políticos. Quem quer tudo, quer nada, pois tudo é impossível dar. Mas é inegável que bandeiras de renovação, como a reforma político-eleitoral e reforma tributária, se destacaram e tiveram debates importantes. Teve até mesmo uma minirreforma política, invalidada pelo Tribunal Superior Eleitoral recentemente, por não obedecer o princípio constitucional da anterioridade de um ano antes da eleição de outubro.

Essas duas reformas são essenciais para a modernização do país e aproximação da população da política. De um lado, os empresários e toda a população reclama da elevada carga tributária, que inviabiliza o desenvolvimento do país. De outro, uma classe política distante dos anseios da população, uma classe política que vive para se perpetuar no poder, trabalhando durante todo o mandato para conseguir a reeleição.

No meio dessa desordem está a população e os empresários, que sabem o que fazer para mudar essa situação, mas que não têm o poder da caneta, pois quem decide é a turma de Brasília. Mas isso pode ser modificado através da participação política. Os jovens empresários conhecem bem a realidade do país e ainda não estão vinculados a grupos políticos viciados, por isso a participação deles é fundamental para mudar para melhor a realidade de nosso país.

O Brasil é o pior colocado no ranking de retorno dos impostos à população, segundo pesquisa nos 30 países com a maior carga tributária do mundo. Estados Unidos, Austrália e Coreia do Sul são os países que melhor aplicam os tributos arrecadados. Já o Brasil está em último lugar, atrás de vizinhos como Argentina e Uruguai. O País ainda ocupa a 85ª posição no último (2012) ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Organização das Nações Unidas.

É um quadro crônico, extremamente desfavorável, mas a saída existe e passa inevitavelmente pela participação política. Como presidente da ala jovem da Associação Comercial e Industrial de Aparecida de Goiânia (Aciag Jovem), venho conclamar nossos jovens empresários a participar efetivamente da política, seja debatendo, cobrando ou mesmo disputando uma vaga na estrutura política, pois somente assim teremos uma voz mais ativa.

As transformações que tanto pedimos não vão cair do céu como num conto de mágica, elas virão somente com  pressão que a sociedade e especialmente os empresários exercerem sobre a classe política. Então, mãos à obra, pequenos empresários de Goiás e do Brasil, uni-vos!

* Maione Padeiro é advogado, presidente da ACIAG Jovem e colaborador do Portal BEATRIZ IOLANDA.